Rumo à COP26: Corticeira Amorim assina manifesto pelo clima promovido pelo BCSD
14 Julho 2021O documento subscrito por 82 empresas e organizações portuguesas apresenta 11 objetivos para travar as alterações climáticas
A cerca de três meses da 26.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP26), que terá lugar em Glasgow, no próximo dia 31 de outubro, o BCSD Portugal (Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável) lança um Manifesto com 11 objetivos para travar as alterações climáticas. A Corticeira Amorim é uma das 82 empresas e organizações portuguesas que assinam este compromisso empresarial, isto num momento que se assume como crítico para que seja possível cumprir o Acordo de Paris sobre o clima.
O Manifesto “Rumo à COP26” corrobora a relevância desta conferência e sublinha os principais resultados esperados aumentar a ambição da resposta global e coletiva, alinhada com o objetivo de limitar o aquecimento da Terra a 1,5⁰C, o que obriga a acelerar o processo de descarbonização em todo o mundo.
Com a assinatura do manifesto, a Corticeira Amorim reforça o seu compromisso para com a Agenda 2030 das Nações Unidas, reconhecendo não só a urgência da transição para uma economia de baixo carbono, mas também a importância de medidas de adaptação que tenham em conta a proteção das pessoas e dos ecossistemas. A estratégia da empresa está alinhada com 12 dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, comprometendo-se, entre outros, a reduzir o impacto ambiental das operações através da adoção de soluções renováveis, acessíveis e eficientes.
Partilhamos aqui, na integra, o manifesto Rumo à COP26:
MANIFESTO “RUMO À COP26”
A 26.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP26) aproxima-se, naquele que é um momento crítico para se cumprir o Acordo de Paris sobre o clima. Limitar o aquecimento da Terra a 1,5⁰C implica reduzir para metade as emissões globais até 2030, o que obriga a acelerar bastante o processo de descarbonização em todo o mundo.
Se a ação climática se limitasse às políticas atualmente em curso, tal resultaria num aquecimento global no mínimo de 2,9⁰C, incompatível com a ambicionada proteção para a biosfera e vida na Terra.
Neste contexto, o BCSD Portugal corrobora a relevância da COP26 e sublinha a importância de se alcançarem os seguintes objetivos como principais resultados:
1. Setor energético
Assegurar a neutralidade carbónica global até 2050, usando como referência global a ambição expressa no Roteiro para a Neutralidade Carbónica (RNC2050), designadamente, a ambição de mais de 80% do mix energético ter origem em fontes renováveis até 2050.
2. Natureza
Alinhar agendas e reconhecer que os objetivos de mitigação e adaptação às alterações climáticas não podem ser concretizados sem a promoção eficaz de soluções baseadas na natureza (nomeadamente, valorizando os sumidouros naturais de carbono, como a floresta e os oceanos), e o restauro, a conservação e a valorização dos recursos naturais.
3. Serviços de ecossistema
Adotar mecanismos de remuneração que permitam a valoração dos serviços que a natureza nos presta, geralmente não remunerados, para garantir que os seus benefícios, essenciais à economia, à regulação do clima e da diversidade biológica, e à nossa saúde, são assegurados no futuro.
4. Contribuições Nacionalmente Determinadas
Aumentar o número de países ativamente comprometidos em reduzir em 50% as emissões até 2030 e em atingir emissões net zero até 2050, tornando os seus compromissos juridicamente vinculativos. Paralelamente, garantir a finalização do Livro de Regras do Acordo de Paris e, no caso dos países da UE, garantir que as políticas nacionais acompanham as metas definidas.
5. Subsídios e mecanismos de mercado
Atribuir um preço de carbono, de modo a internalizar os seus impactes ambientais, e eliminar gradual e efetivamente subsídios injustificados ou incompatíveis com o objetivo de redução de emissões de Gases com Efeito de Estufa, através de instrumentos transparentes e robustos, de alcance global e equilibrados entre espaços económicos, de forma a evitar distorções concorrenciais que levem à exportação de emissões para geografias menos exigentes, ou à circulação de produtos que não cumpram os requisitos aplicáveis, assegurando a erradicação da pobreza energética, salvaguardando a segurança do abastecimento e contribuindo para transformar o comportamento dos consumidores.
6. Mercados de carbono internacionais
Definir regras claras e robustas para o funcionamento do Artigo 6º do Acordo de Paris sobre mercados de carbono, que evitem a dupla contabilização de créditos de carbono, garantam uma redução global das emissões e contribuam para a construção de uma economia neutra em carbono.
7. Financiamento de países em desenvolvimento
Cumprir o compromisso, definido no Acordo de Paris, de apoio aos países em desenvolvimento, no valor de 100 mil milhões US$ por ano, enquanto fator crítico na proteção contra os impactes climáticos e na aceleração da descarbonização a nível global, com regras e monitorização.
8. Finanças sustentáveis
Criar incentivos de mercado que direcionem o financiamento e o investimento para soluções de baixo carbono, nomeadamente, soluções de finanças sustentáveis, procurando assegurar normas universais de medição e reporte do risco e dos impactes climáticos.
9. Investigação, desenvolvimento e inovação (I&D&I)
Apoiar o desenvolvimento de novas tecnologias e a alteração de métodos produtivos, através da colaboração entre empresas e academia, e da dinamização de parcerias público-privadas em prol da neutralidade carbónica.
10. Transição justa
Criar mecanismos para qualificação e requalificação das pessoas mais afetadas pela transição, baseados no diálogo entre trabalhadores, empregadores, governos, comunidades e sociedade civil, para que ninguém fique para trás e se garanta que os custos e benefícios da ação climática são distribuídos de forma equitativa.
11. Planos de adaptação
Incentivar os países a desenvolverem estratégias de resiliência que acautelem os riscos climáticos físicos nos locais chave das cadeias de valor globais e para as comunidades e populações locais.
Estamos num momento decisivo. É crucial aproveitar as lições da pandemia para acelerar a transição necessária e evidente a urgência da COP26 ser um sucesso, de forma a evitar consequências desastrosas para as sociedades e economias.