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Hotspot de vida

Os montados (florestas de sobreiros) são um pilar ambiental, social e económico determinante nos países do Mediterrâneo. Suportam uma ecologia única e frágil que constitui um habitat para espécies raras ou em vias de extinção. Estão na base de um dos 35 ecossistemas mundiais mais importantes para a conservação da biodiversidade - equiparados a paraísos como a Amazónia, a savana Africana ou o Bornéu. Mais de duzentas espécies de animais e 135 espécies de plantas encontram no montado as condições ideais de sobrevivência.

Emblemáticos do clima quente e da terra árida, os montados protegem contra a erosão e a consequente desertificação. São uma barreira anti-incêndios, devido à fraca combustão da cortiça, e assumem um papel relevante na regulação do ciclo hidrológico. Também oferecem um contributo fundamental no que respeita ao ar que respiramos, porque fixam dióxido de carbono, que sem eles seria libertado para a atmosfera.

Calcula-se que todos os anos as florestas de sobro retenham até 14 milhões de toneladas de CO2, uma ajuda preciosa para a redução dos gases com efeito de estufa, a principal origem das alterações climáticas.

Igualmente surpreendente é o facto de os sobreiros aumentarem a capacidade de retenção destes gases durante o processo de regeneração natural que sucede ao descortiçamento - um sobreiro descortiçado fixa, em média, cinco vezes mais CO2. A capacidade de reter dióxido de carbono estende-se também aos produtos transformados de cortiça, que continuam a assegurar esta função de fixação de CO2.

Estas florestas são um dos melhores exemplos do equilíbrio entre a conservação do meio ambiente e o desenvolvimento sustentável - só o facto de nenhuma árvore ser abatida durante o processo de extração da cortiça constitui um caso único em termos de sustentabilidade. E são a base de uma economia de futuro. Em torno da cultura do sobreiro gira o trabalho agrícola mais bem pago do mundo, além de um conjunto de outras atividades agronómicas, florestais, silvopastoris, cinegéticas e económicas - sendo a indústria da cortiça o motor desse desenvolvimento sustentável, ajudando a manter milhares de postos de trabalho e a fixar as pessoas à sua terra.

Segundo a WWF - World Wild Fund for Nature, mais de cem mil pessoas no sul da Europa e no norte de África dependem direta e indiretamente destas florestas. Só em Portugal, onde existe a maior área de montado do mundo, dependem diretamente dessa economia cerca de 700 empresas; cerca de dez mil postos de trabalho fabril; 6500 postos de trabalho na extração florestal e milhares de postos de trabalho indiretos (restauração, turismo, etc.).

A cortiça transformada (cerca de 70% em rolhas) destina-se maioritariamente à exportação (90%), representando 2,2% do total das exportações portuguesas.

O sobreiro desempenha um papel tão relevante que foi consagrado no final de 2011, por unanimidade da Assembleia da República, a Árvore Nacional de Portugal e está protegido por lei desde o século XIII.